uma página de contos. que invento .. ou não.

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diário de uma Irrealidade possível (V)

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É difícil a vida na noite, de noite, concluiu. É difícil aguentar o olhar guloso do recepcionista de hotel quando se dirige ao elevador depois de receber por sms o número do quarto onde tem de estar. Mais difícil ainda suportar sem um gemido as perguntas indiscretas do taxista que, em noites boas, a leva a casa. Pede sempre para sair dois quarteirões antes. Deus me livre se souberem onde moro. É difícil a vida dos que vivem à noite. Ainda que tenham igualmente que viver o dia. De dia. E os meses de uma eternidade saturada que não passam. Se o fulano do hotel me volta a olhar daquela forma, cito-lhe Turgenev.
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7 comments:

  1. É uma linguagem quase surrealista quanto verdadeira. Uma dúvida: A Catarina refere-se a quem? Será às mulheres sérias, sacrificadas, exploradas e enganadas a quem chamam prostitutas?

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  2. É uma dúvida legítima Meu Caro sendo que nem todas as prostitutas cabem nessa qualificação e esta personagem acabada de inventar é muito mais que isso também :)

    Obrigada *

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  3. a personagem é também muito mais que isso
    adoro a dúvida e as entrelinhas

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  4. interessante mas assustador if you know what i mean

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  5. Nocas Querida estou a tentar seguir as linhas de "escrita dura, crua e objectiva" e tu sabes o quanto isso me é dificil. Mas é como dizes: as personagens são sempre maiores que os "embrulhos", que os autores até .. :)



    I'm aware of that, Mr. Smith. ;)

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  6. Catarina, apesar da «escrita dura, crua e objectiva», mas escorreita e muito agradável, podemos esperar um final feliz? :-D

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  7. Luísa estou convencida que ela o merece. :)

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