uma página de contos. que invento .. ou não.

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diário de uma Irrealidade possível (III)

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Porque o fazes, perguntam-lhe depois, de cigarro na boca e olhos no tecto. Não és, decididamente, como as outras, continuam. (Não sou?, claro que sou.).
Ela arranja-se devagar, um olho nos ponteiros do relógio, outro na meia de lycra que puxa perna acima. Um dia talvez explique, murmura, já de costas, casaco vestido, guardando as notas na carteira. Sai para noite gelada, mal embrulhada num casaco que não aquece, e dispõe-se a percorrer a pé os quilómetros que a separam do destino. O dinheiro para o táxi está na carteira, mas a conta da água aguarda uma transferência no dia seguinte, findo o prazo sobre o prazo para os distraídos, pobres ou simplesmente relaxados. Onde me encaixo?, pergunta-se, apressando o passo. Onde?
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