uma página de contos. que invento .. ou não.

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diário de uma Irrealidade possível (II)

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Entregou-se a explicações que sabia não poder facultar a ninguém.
E afinal o que era a dignidade de alguém, perguntava-se antes de tomar a decisão dolorosa. E dolorosa para quem voltava a perguntar-se, na tentativa de minorar a consequência do que sabia ia fazer, consequência essa difícil de aceitar. De se aceitar. Equacionou tudo o que fizera até aí. Não se poderia propriamente dizer que não havia tentado. Lá estava o busílis. A quem se referia aquele se? que contas teria de prestar? Maiores que as que se tinham acumulado no móvel de entrada antes de o vender? Menores que a vergonha, o desespero?
Tudo é relativo, dissera-lhe um professor de Filosofia na faculdade. Não lhe poderia dar mais razão que no momento presente. Tudo é tão relativo. Assustadoramente relativo.
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2 comments:

  1. Querida Catarina, eu sei o que é a realidade dura da vida. Mas não me atire a nossa heroína para a sarjeta, por favor! ;-D
    P.S.: Já o disse e repito: gosto muito do seu estilo, Catarina. E a técnica do capítulo curto, de fácil leitura, lembra-me o Machado de Assis. Quanto ao enredo, estou em pulgas. :-)

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  2. Vou tentar Querida Luísa porque assim mo pede (e vou ter de rever o que já escervi .. risos) mas não me vou afastar muito :)

    Muito Obrigada por tal comparação que me honra minha Amiga * Vou tentar não desiludir.

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